Feriado prolongado no delivery: fecha ou fica aberto? A conta que decide
Feriado chegou. No grupo do delivery, a pergunta já apareceu: abre ou fecha? Um dono diz que faturou o dobro no último Carnaval. Outro diz que ficou no prejuízo com funcionário ocioso esperando pedido que não veio. E você fica na dúvida, sem saber pra onde pender.
A decisão de fechar o delivery no feriado — ou manter aberto — não é sobre disposição nem sobre o que os outros estão fazendo. É sobre uma conta que quase ninguém faz antes de decidir. E o resultado depende de dois fatores só: o volume real de pedidos e o custo extra que abrir vai gerar.
O que muda no delivery durante o feriado
Feriado prolongado pode trazer mais pedidos — as pessoas ficam em casa, não querem cozinhar, e o iFood costuma ter mais movimento. Mas não é garantia. Feriados de meio de semana em cidades pequenas podem não mudar nada. Carnaval e Páscoa tendem a subir mais. Finados pode cair. Depende do perfil do seu bairro e do tipo de comida que você vende.
O que não muda: os custos do dia. Ingredientes saem de estoque igual. Embalagens somem a cada pedido. A taxa do iFood roda em cima de cada venda do mesmo jeito — 17,19% no Plano Básico, sem desconto por ser feriado. E se você precisar de um funcionário extra pra dar conta do volume, essa diária costuma vir com acréscimo.
A pergunta correta não é "abre ou fecha" — é "com o volume que eu espero, o feriado vai render mais ou menos que um dia normal?"
A conta de um dia normal de delivery
Antes de avaliar o feriado, vale saber o que sobra num dia comum. Considere um delivery com faturamento diário médio de R$ 800,00 no iFood Plano Básico:
Ingredientes (CMV 35%): R$ 280,00
Embalagens (6%): R$ 48,00
Taxa iFood Básico (17,19%): R$ 137,52
Total de custos variáveis: R$ 465,52
Margem bruta do dia: R$ 334,48
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
Desses R$ 334,48 que sobram, ainda saem os custos fixos do dia (aluguel rateado, energia, internet). Mas é essa a base: a margem que cada dia precisa produzir pra cobrir seus gastos fixos e gerar lucro de verdade.
O feriado com +40% de pedidos — e um funcionário extra
Imagine que o feriado traz 40% mais pedidos. O faturamento sobe de R$ 800 pra R$ 1.120. Parece ótimo — mas pra dar conta do volume, você chama um funcionário. A diária de feriado, com o acréscimo habitual, sai por R$ 200,00.
Ingredientes (35%): R$ 392,00
Embalagens (6%): R$ 67,20
Taxa iFood Básico (17,19%): R$ 192,53
Funcionário extra (diária feriado): R$ 200,00
Total de custos: R$ 851,73
Margem bruta do dia: R$ 268,27
Valores são exemplos — pesquise os preços da sua região.
Você faturou R$ 320 a mais do que num dia normal. Mas sobrou R$ 66,21 a menos. O feriado com 40% de aumento de pedidos e um funcionário extra rendeu menos margem do que um dia comum — sem feriado, sem funcionário.
Esse é o número que a maioria não calcula antes de decidir abrir.
Quando o feriado realmente compensa abrir
Com funcionário extra custando R$ 200, o volume precisa ser suficiente pra cobrir esse custo e ainda superar a margem de um dia normal. A conta é direta:
Margem a superar (dia normal): R$ 334,48
Custo extra do funcionário: R$ 200,00
Faturamento mínimo necessário: R$ 1.278,00
Isso representa: +60% acima do dia normal
Abaixo de +60%, o feriado rende menos do que ficar fechado.
A lógica: de cada real faturado, sobram R$ 0,4181 depois dos custos variáveis (ingredientes + embalagem + taxa iFood). Pra cobrir os R$ 200 do funcionário extra E ainda superar a margem normal de R$ 334,48, você precisa de R$ 534,48 ÷ 0,4181 = R$ 1.278 de faturamento no mínimo.
Se o histórico dos seus feriados no iFood mostra que você costuma crescer mais de 60% nesses dias, abrir com funcionário faz sentido. Se fica em torno de 30 a 40%, como é comum em muitos feriados intermediários, você provavelmente vai terminar o dia com menos no bolso do que teria descansado.
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Se você trabalha sozinho: qualquer volume extra no feriado é ganho — não tem custo adicional de mão de obra. Mesmo faturando igual ao dia normal, você já empata. Qualquer pedido acima disso é lucro. A não ser que o descanso valha mais naquele momento — e tudo bem, descanso também é uma decisão legítima.
Se você tem equipe: faça a conta antes de escalar o time. Veja no histórico do iFood qual foi o volume nos últimos feriados similares. Se não chegou a +60% do dia normal, considere abrir com equipe reduzida e limitar a capacidade de pedidos — melhor do que pagar funcionário parado esperando pedido que não veio.
Em feriados prolongados (3 ou 4 dias): multiplique a conta por cada dia. Se no dia 1 o volume não compensou o custo extra, os próximos dias carregam o mesmo risco. Por outro lado, se o primeiro dia pagar todos os custos extras e os seguintes tiverem equipe já escalada, o faturamento acumulado do feriado pode compensar mesmo com dias intermediários mais fracos.
O dado mais valioso que você tem pra essa decisão está no histórico de pedidos do iFood dos feriados anteriores. Se no último feriado similar você cresceu 25%, as chances de crescer 60% agora são pequenas. Se cresceu 80%, vale escalar a equipe e abrir.
A decisão de fechar o delivery no feriado não é sobre disposição. É sobre saber qual volume de pedidos você precisa ter pra que o dia valha a pena — e decidir com esse número na mão, não no chute ou no que o vizinho de grupo fez.
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